Todo mundo correu para dar opinião sobre a campanha da Havaianas com a Fernanda Torres.
“Foi um absurdo”, “lacração”, “boicote”, “marketing que deu errado”.
Quando se olha para os números, aparece outra história:
- +300 mil seguidores novos
- +30 milhões de menções em 48h
- vendas praticamente intactas
Ou seja: enquanto o Brasil brigava na internet, a Havaianas colecionava dado para trabalhar 2026.
O que a Havaianas fez (de propósito ou não)
A marca entrou num jogo perigoso: mexer com superstição (“pé direito”) em um país polarizado.
Com uma atriz com posicionamento conhecido, é óbvio que viraria código político na cabeça de metade do país.
Isso, para uma marca que sempre foi “para todo mundo”, é um risco grande.
Ela ganhou um público mais alinhado com a mensagem e empurrou outro público para a concorrente (Ipanema ganhou cerca de 400 mil seguidores surfando a onda).
Se é estratégia brilhante ou ego de agência, dá para discutir.
Mas tem um ponto inegociável: agora eles têm uma quantidade de dados que não teriam em um ano inteiro de campanhas “seguras”.
Brasil não é país de marca. É país de modinha.
Do ponto de vista de comportamento, você mesmo vê isso no dia a dia:
- brasileiro gosta de novidade, desconto, farra, sentir que está “no grupo certo”
- não é o mercado mais fiel a marca do mundo
Se amanhã a Ipanema lançar algo mais engraçado, mais bonito ou mais barato, muita gente muda de chinelo sem dor de consciência.
Se depois a Havaianas reage melhor, essa mesma pessoa volta.
Não é sobre amor à marca.
É sobre preço, status momentâneo, conveniência e pertencer à modinha da vez.
Isso explica por que, mesmo com barulho político, a venda não despencou:
para boa parte do público, é só chinelo.
A única opinião que importa não é a sua (nem a minha)
Se você está confuso se “foi bom ou ruim”, tem uma verdade dura aqui:
o que você acha não importa.
O que importa é:
- como a base de clientes da marca se comportou
- quem comprou mais, quem deixou de comprar
- que segmentos foram ativados ou afastados
No seu negócio é a mesma coisa.
Sem CRM, sem dados de campanha, você só tem achismo:
- pesquisa de opinião mente (as pessoas respondem o que é socialmente aceitável, não o que sentem)
- comentário em rede social distorce (a minoria barulhenta parece maioria)
Quem manda é o que aparece em:
- taxa de recompra
- ticket médio
- volume de vendas antes/depois da campanha
O que você deveria roubar desse caso para o seu negócio
Em vez de discutir se concorda ou não com a Havaianas, usa isso como laboratório gratuito:
1. Transforme campanha em experimento
Campanha não é obra de arte, é teste.
Antes de “lacrar” ou “agradar todo mundo”, responda:
- que hipótese estou testando?
- qual comportamento quero observar? (clique, resposta, compra, cancelamento)
- qual métrica vai dizer se valeu a pena?
2. Tenha um CRM que conte a verdade
Se você tivesse feito uma campanha polêmica hoje, conseguiria responder rápido:
- quem deixou de comprar depois dela?
- quem começou a comprar por causa dela?
- qual segmento mais reclamou e qual mais converteu?
Sem CRM integrado (WhatsApp, e-mail, Instagram, telefone) isso é impossível.
Você fica preso ao barulho do feed, não ao que paga seu boleto.
3. Meça resultado real, não barulho
Faça sempre duas leituras:
- Barulho: comentários, menções, hate, elogio
- Resultado: vendas, leads, reuniões, recorrência, upgrade
Campanha “odiada” que traz cliente ideal é boa.
Campanha “aplaudida” que não traz dinheiro é vaidade.
Como aplicar isso na sua empresa esta semana
- Escolha um canal para consolidar dados
- Se ainda não tem CRM, escolha um (não precisa ser perfeito).
- Comece puxando contatos de WhatsApp, e-mail e Instagram para o mesmo lugar.
- Olhe para suas últimas campanhas
- Teve aumento ou queda de vendas?
- Mudou algo em tipo de cliente que chegou?
- Defina uma próxima campanha como experimento
- Anote antes: o que você quer provar?
- Depois compare: cliente que veio é melhor ou pior que o anterior?
- Pare de decidir só pela sua opinião
- Você não é o seu cliente.
- Use dado de comportamento, não resposta de pesquisa solta.
Se a Havaianas fez certo ou errado, o tempo vai dizer.
Mas de uma coisa dá para ter certeza: eles saíram dessa com mais informação sobre o próprio mercado do que a maioria das PMEs vai ter na vida inteira.Se você quer usar crise, polêmica ou só campanhas fortes a seu favor, o caminho é o mesmo:
menos grito, mais dado.
Menos “eu acho”, mais CRM e leitura de comportamento.
